quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O essencial é invisível aos olhos…

" Não soube compreender coisa alguma! Deveria tê-la julgado por seus atos, não pelas palavras. Ela exalava perfume e me alegrava… Não podia jamais tê-la abandonado. Deveria ter percebido sua ternura por trás daquelas tolas mentiras. As flores são tão contraditórias! Mas eu era jovem demais para saber amá-la"…
E quando regou pela última vez a flor e se preparava para colocá-la sob a redoma, percebeu que tinha vontade de chorar.
— Adeus — disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
— Adeus — repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
— Eu fui uma tola — disse finalmente. — Peço-te perdão. Procura ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, completamente sem jeito, com a redoma nas mãos. Não podia compreender essa delicadeza.
— É claro que eu te amo — disse-lhe a flor. — Foi minha culpa não perceberes isto. Mas não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Tenta ser feliz…
Larga essa redoma, não preciso mais dela.
— Mas o vento…
— Não estou tão resfriada… O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
— Mas os bichos…
É preciso que eu suporte duas ou três larvas, se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe…
Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
— Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Então vai!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa.

O pequeno príncipe - Antoine Saint- Exupéry ( pg. 27 e 29)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Momento mulherzinha.

Todos queremos nos apaixonar certo, por quê?
Porque essa experiência nos faz sentir vivos, nosso sentidos ficam aguçados, as emoções crescem… nosso dia a dia desaparece e ficamos nas alturas. Pode demorar uma hora, uma tarde, mas não tem valor, guardamos essas lembranças para o resto da vida.
Porque queremos nos apaixonar se pode durar tão pouco… e ser doloroso?
Acho que é porque, como alguns de vocês já devem saber, enquanto dura é bom pra caramba! é por isso. "
Rose Morgan (Barbra Streisand) em "O espelho tem duas faces" .

Lindo filme, traduz muito bem essa confusão que o amor proporciona.

domingo, 7 de outubro de 2007

Peter Pan.

E Peter Pan, não quis crescer…
Esse foi o final da história, juro que pensei que no fim ele fosse ficar com a Wendy e entendesse que crescer não é tão ruim assim, e fiquei pensando que todos nós em algum momento já fomos um Peter, isso é até compreensível, pois crescer dói bastante e não sei se existe uma forma de amadurecimento que não seja seguido de dores na alma.
Mas viver na terra do nunca não é a forma mais segura de ficar livre disso, certo?
— Peter, moram meninas na terra do Nunca?
— Não, meninas são espertas e não se perdem do carrinho.

Peter Pan - O Filme.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Indignada*

Tava indo para a faculdade, quando sobe no ônibus um senhor totalmente alcoolizado, senta-se em um dos assentos tudo na maior calmaria… até que o cobrador com seu jeito "delicado" manda o pobre do homem descer do veículo, o senhor não respondeu e ficou na dele, como se nada tivesse acontecendo ( na verdade, acredito que pelo fato da embriaguez, nem se deu conta do que passava-se ao seu redor) foi então que o cobrador iniciou uma campanha juntamente com o motorista para retirá-lo de lá. Até que por fim pararam num ponto de ônibus onde avistaram um policial militar e o retiraram do veículo a brados de grosserias extremas.
Olha, fiquei extremamente indignada com isso, o cara aparentemente não oferecia risco nenhum, só estava embriagado, ser alcoólatra não é sinônimo de ser marginal. Minha vontade foi de levantar e defender aquele senhor que estava sendo humilhado perante a todos, mas não, sabe o que eu fiz? aumentei o som do meu mp4 até o últmo volume, afinal das contas, já tenho muitos problemas, pra quê ficar me preocupando com os dos outros. Não reconheço esse ser que se apossou do meu corpo, agora consigo enxergar esse monstro, que outra pessoa já o tinha avistado.
* o título do post, não só revela minha indignação com a sociedade impiedosa e preconceituosa em que vivêmos, como revela a minha total passividade com tudo isso.
Me sinto um lixo, preciso salvar e ser salva.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

No consultório…

Oi doutor.
— Mara Darlana, o que estás fazendo aqui novamente no meu consultório??? ( ai meu Deus! me chamou por meu completo, te prepara que lá vem bronca).
— Doutor, não me sinto bem tudo dói, cabeça, estômago e minha pressão baixou, podes me receitar aquela injeçãozinha milagrosa?
— Olha aqui mocinha, só esse ano é a terceira vez que vens se consultar comigo ( err… na verdade é a quarta, mas acho melhor não corrigí-lo) já estou começando a pensar que nutres algum interesse pessoal por mim ( não achei nenhuma graça na piada, talvez se não estivesse com a cabeça explodindo, meu estômago sendo socado e um frio insuportável tomando conta do meu corpo, me divertisse ouvindo isso, apesar dele não fazer o meu tipo, definitivamente não)
— Darlana, te conheço desde que tinha uns 8 anos (ahh não! lá vem ele com essa história de sempre, não dá pra pular essa parte, tô morrendo aqui óh) você tem que se cuidar se alimentar nos horários certos, tomar a medicação corretamente ainda és muita nova pra ficar brincando com a saúde, tomou aquelas vitaminas que te receitei?
— Bom, eu iniciei mas comecei a engordar e resolvi parar.
— Não acredito!!!
— Ma.. mas…
— Nada de mas mocinha, você tem que se preocupar com sua saúde e parar com essas dietas malucas, manias de vocês jovens sempre em busca de um corpo perfeito, minha filha se alguém tiver que gostar de você, vai ser do jeito que és, pode ser quadrada, redonda ou até triangular.
Seria inútil meus argumentos com ele sobre minha concepção do que é estar ou não estar bonita ou magra, ( e no mais, a dor não me permitiu isso) afinal penso que cada um sabe o que é melhor pra si, eu exagero em algumas coisas tenho mea culpa por tá sofrendo agora, pensando bem, mea não, total , mas também é complicado levar uma vida saudável na correria em que minha vida se tornou.
— Doutor, prometo ser mais responsável com isso ( só esqueci de falar um pequeno detalhe importante, eu não sou boa com "promessas" ), mas precisava da injeção.
— Certo, espero que leves isso a sério.
Conclusão: tomei a bendita injeção, o que me fez ficar em pé, ao menos isso, e tô me sentindo uma hipocondríaca de tanto medicamento receitado.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Semelhanças…

" Imediatamente fui atraída por Nietzsche. Não é um homem fisicamente imponente: altura média, com uma voz gentil e olhos que não piscam e que olham para dentro e não para fora, como se estivesse protegendo algum tesouro interior…"

Quando Nietzsche chorou - Irvin D. Yalon, pg. 33.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Sair de casa é:

Ligar desesperadamente pra mãe na manhã seguinte, só pra perguntar:
Manhêêê, como faço café na cafeteira?

Não que eu seja uma imprestável na cozinha, mas café na cafeteira, eu não sei tá!
Sim, tô experimentando uma nova rotina, sair da segurança do meu mundo, só que não foi por amor, como diria Renato Russo, ainda estou em fase de adaptação, de vez em quando bate uma saudade do meu quarto, minha família, meu mundo, mas tenho um propósito e nada ou ninguém vai me fazer desistir dele.